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notas sobre autodidatismo

texto no medium


neste texto, introduzirei o real conceito de autodidatismo e darei um passo a passo de como aplicá-lo no seu cotidiano, seja para qual finalidade for, usando exemplos pessoais com o objetivo de dar o tom realista a algo que soa tão abstrato.


desmistificando o conceito

para muita gente, o conceito de autodidatismo tem relação direta com a capacidade de se aprender algo sozinho. mas será que isso faz sentido?

o ato de aprender tem relação com a absorção de conhecimento, que por sua vez, é produzido pelos seres humanos e registrado através de diversos meios que se desenvolveram ao longo de nossa história: livros, filmes, músicas ou diários. aqui é onde mora uma diferença sutil entre aprendizado e criação de conteúdo. o aprendizado tem a ver com absorver o conteúdo que já foi explorado por alguém. a criação tem a ver com explorar coisas novas, adentrar ambientes em que ninguém nunca explorou. autodidatas não necessariamente produzem conteúdos novos, eles em geral apenas absorvem do conhecimento que já foi documentado, mas fazem isso de uma maneira diferente da tradicional (escolas, cursos e workshops).

logo, o conceito que temos de autodidatismo soa errado ao ver com esses olhos. autodidata não é quem aprende sozinho, mas sim aquele que constrói sua própria metodologia de aprendizado, se desvirtuando assim da forma tradicional de ensino. autodidatismo não tem a ver com criar conceitos novos, mas sim com criar sua própria didática.

mas porque criar suas próprias metodologias?

e o fator que leva os autodidatas a criarem suas próprias metodologias é muito simples: aprender da forma tradicional é muito chato. sentar 6 horas por dia numa sala com mais 30 pessoas e ouvir professores falando é muito maçante. ter que ler livros e mais livros escolhidos por outras pessoas na esperança de que aquilo vai te trazer o conhecimento que você quer talvez não seja a melhor maneira de alcançar seus objetivos, mas ao longo de toda a nossa vida, fomos ensinados que esses são os melhores meios e que ir por um caminho diferente desse é coisa de louco. mas não é bem assim.

primeiramente, pense numa criança que não sabe falar.

como ela aprender a falar sozinha?

ela não aprende sozinha. ela tem referenciais ao redor dela que estão o tempo todo falando, gesticulando, interagindo com ela e aos poucos ela vai retendo os sons e percebendo que pode também reproduzí-los, mesmo que não sejam sons inteligíveis inicialmente, mas que ainda assim são uma forma de interação. aos poucos esses sons vão tomando forma e, naturalmente, começam a surgir as primeiras palavras. ao longo desse processo, os pais geralmente vão entendendo e criando um método próprio para estimular e fazer essa criança desenvolver melhor essas habilidades. e é nesse exemplo que temos que pensar sempre que pensamos em aprender algo fora dos métodos tradicionais.

o processo deve ser construído de forma prazeirosa e divertida, nunca dolorosa.

nenhum pai coloca de castigo uma criança que não aprendeu a falar aos 2 anos de idade. no máximo ele vai procurar ajuda profissional pra entender se há algum problema cognitivo ou mental, mas tudo dentro da ideia de que o processo será único para cada criança.

vamos entender outro exemplo para captar melhor a essência da ideia.

é fato que se você viajar para a China e passar 6 meses lá, você aprenderá mais Mandarim do que se passar os mesmos 6 meses estudando em algum curso dessa mesma língua. e isso se dá pelos MOTIVOS que você tem para aprender. num geral, precisar comprar comida num mercado chinês é mais motivador do que ouvir um professor repetindo os números de 1 a 10 ou ensinando as cores, não?

percebi que odeio o sistema tradicional de ensino, o que eu faço?

depois de entender que talvez as metodologia que estamos acostumados talvez não sejam as melhores, um questionamento que provavelmente virá à sua cabeça é: e agora, o que eu faço com essa informação? devo acabar com o sistema de ensino e me rebelar contra tudo e todos que forem contra formas alternativas de aprendizado?

acho que não.

é muito simples e lógico: já que a metodologia tradicional não é o que mais te agrada, monte a sua própria.

mas como assim montar uma metodologia? apenas profissionais capacitados são capazes disso…

neste ponto muitas pessoas travam com a ideia de ser responsável por montar uma estratégia, com a justificativa de que não são capacitadas pra isso, que não vão conseguir ou que se fizerem uma estratégia, esta vai ficar ruim e pouco otimizada. o único argumento que eu tenho pra te convencer uma pessoa com essa linha de raciocínio é: cada um sabe o que gosta e o que não gosta. sabe o que faz bem e o que faz mal para si.

você é a pessoa que mais sabe do que você precisa

você é a pessoa mais indicada para dizer para si mesmo COMO você deve aprender e qual o jeito que mais vai te trazer resultados. e talvez a primeira estratégia que você monte seja realmente ruim, mas você também será a pessoa mais indicada para melhorar ela.

neste ponto, eu não vou te dar a resposta exata sobre qual a melhor estratégia ou qual a melhor metodologia para você aprender, até porque não sei nem o que exatamente o que você quer aprender nem quais são seus objetivos. tentarei mostrar através de algumas dicas como eu montei e monto as minhas e isso talvez facilite o seu processo.

aprendendo a pesquisar

parece besteira, mas é incrível a quantidade de pessoas que não sabe pesquisar as coisas na internet. há alguns anos era mais difícil. o google contava com alguns atalhos e jeitos específicos de fazer pesquisas que melhoravam a qualidade dos resultados. mas ao longo dos anos eles perceberam que essa estratégia não era das melhores e resolveram melhorar o algoritmo com base no jeito que as pessoas comuns costumavam pesquisar. hoje em dia, o melhor jeito de usar o google é como se ele fosse seu amigo. se você quer por exemplo, aprender a desenhar, pesquise simplesmente: “aprender a desenhar” ou “como começar a desenhar”.

essa busca simples e direta não te trará o melhor resultado de cara para você montar sua estratégia, mas sim os resultados mais relevantes nesta área. e a partir dessa primeira pesquisa, você tem um ponto de partida.

e o que significa ter um ponto de partida?

quem tem net vai a roma…

na internet, ter um ponto de partida é como ter passagens infinitas e estar num aeroporto. você pode chegar em qualquer lugar, basta fazer as escalas certas. você pode fazer caminhos mais longos ou mais rápidos, mais baratos, mais caros, mais ou menos bonitos, mas sempre irá conseguir chegar onde você quer. e os aviões nessa metodologia são os links. e se você não sabe exatamente onde quer chegar, comece chegando em algum continente que ache interessante, depois você se preocupa com o país ou a cidade que quer chegar.

difícilmente uma página na internet é construída apenas de texto puro, sem conter nenhum link. logo, a partir dessa busca inicial, você começa a entrar num universo novo, cada página com vários links e cada links com mais e mais links dentro. e essa é a primeira etapa de uma pesquisa para montar uma metodologia. o objetivo aqui é acumular o máximo de informações possíveis. vou dar um exemplo prático.

ao se pesquisar sobre como aprender a desenhar, em algum momento você vai chegar em algum artista falando como aprendeu. e isso é muito valioso. entender como pessoas que são referência na área em que você quer adquirir conhecimento. pois elas já passaram pelos passos iniciais e intermediários. elas sabem quais as dificuldades. por isso, sempre que esbarrar em algum profissional da área, preste atençao, guarde seu nome, salve os links e siga sua busca. referências da área

ao achar pessoas que são referência na área e que fazem coisas parecidas com as que você quer fazer, tente entender como elas começaram, qual caminho fizeram e qual metodologia utilizam hoje em dia para aprender as coisas. isso pode ser um importante referencial para você montar as suas, já que seus objetivos finais são parecidos com os delas. e não só isso, mas use-as como inspiração também. ver coisas inspiradoras que os outros fazem e saber que há um caminho a se seguir para alcançar resultados parecidos é uma boa fonte de motivação.

seguindo nosso exemplo de desenho, ao achar artistas renomados, aos poucos você começa a perceber que gosta mais de determinado tipo de traço e começa a buscar mais sobre tal técnica. e quando achar esses nichos, se aprofunde. tente entender as bases para se chegar nos resultados finais que você gosta.

pesquisar por “artistas que usam nanquim”, “a origem do nanquim”, “nanquim é tóxico?” e demais devaneios também são válidos. o objetivo aqui é ter um arsenal de informações das mais diversas possíveis sobre o assunto, para afunilar o que você realmente quer, gosta e se identifica. você pode por exemplo descobrir que ao invés de desenhar, te agradaria mais aprender a colorir. e assim por diante.

o objetivo dessa busca inicial é ter um panorama geral do que exatamente é aquilo que você quer aprender e quais os possíveis jeitos de se fazer aquilo, se existem outras pessoas que você pode usar como referência, se existem outras pessoas que fazem exatamente o que você quer fazer, para você quem sabe tirar dúvidas com ela ou mesmo trabalhar junto em algum momento.

explore o mundo além da internet

e neste ponto, não apenas buscas no google são válidas, perguntar para amigos e pessoas que você sabe que tem interesses em áreas parecidas com as suas. buscar em livros na biblioteca, assistir vídeos ou ouvir podcasts. tudo é válido e importante. cada passo aqui contribui para uma das coisas mais importantes do autodidatismo: a imersão no assunto. o ato de se rodear daquilo que você quer aprender para que aquilo aos poucos se torne a coisa mais natural do mundo.

tenha em mente que esse processo pode não levar apenas alguns minutos. às vezes leva dias. e no meio do processo você pode perceber que na verdade você não quer aprender a desenhar, mas que tem interesse em design de websites. e aí a pesquisa vai começar de novo.

e agora, com todo esse material em mãos, vamos trabalhar para extrair o máximo que ele pode nos oferecer.

montando sua metodologia

o primeiro passo é filtrar os links com base na afinidade. aqui o que você tem que ter em mente é o seguinte: lembre-se que quanto mais prazeiroso for o processo de aprendizado, mais estimulado você ficará e por consequência, mais leve serão as horas dedicadas aos estudos. além do fato que o nosso cérebro se sentirá mais confortável e será mais fácil absorver o conteúdo se este for divertido e leve.

não foque apenas em técnica, procure também conteúdo que gire em torno do seu interesse. em relação a desenhos, canais do youtube onde artistas não necessariamente ensinam, mas mostram seus processos criativos e fazem timelapses de pinturas podem ser interessantes para te colocar no contexto das pessoas que realmente sabem o que estão fazendo.

acho que busquei errado, e agora?

talvez você perceba que sua busca não foi tão efetiva, talvez você tenha achado muitas fontes de inspiração, mas não tem um bom arsenal de conteúdo teórico. isso é normal, mas quanto antes se perceber, melhor. revise o material e encontre as fraquezas dele. só parta para o próximo passo quando sentir que tem em mãos um conteúdo bom e interessante, que desperte seu interesse de alguma forma. monte suas metas

a partir do material filtrado, comece a traçar metas. ler 1 livro dentre os selecionados nas próximas semanas. ouvir 4 episódios de um podcast nos próximos dias. ter aprendido técnica Y até o fim do mês. É importante que nesse momento da organização, você tenha uma ideia geral do quanto de trabalho vai precisar ter para chegar onde você quer.

por exemplo: você em suas pesquisas decidiu que quer aprender a desenhar e em seguida, pintar com nanquim. tendo este cenário em mente, monte uma estratégia onde você desenvolva inicialmente noções básicas de desenho, que vão te ajudar tanto no desenho à lápis quanto na pintura com nanquim. é importante entender que esse processo de montar sua estratégia e metodologia já requer uma certa imersão no assunto, pois você precisa entender minimamente o que é requisito para tarefa X e também saber diferenciar o que é básico do que é avançado. nessa hora ajuda bastante entender como pessoas já estabelecidas na área passaram por esse ponta pé inicial que você está passando agora.

há também a possibilidade de neste momento você perceber que vai ser muito mais fácil e prazeiroso para você estudar em um curso, numa escola tradicional ou num curso online. e não há um problema com isso, se for uma decisão realmente consciente e não apenas um momento de insegurança ou uma questão de se sentir incapaz. o importante aqui é entender que não é o CURSO X ou o material Y que você não tem que vai realmente fazer de você um expert naquele assunto. cursos e materiais podem ajudar, mas quem vai fazer a real diferença é você. e soa muito mais sensato fazer a diferença inicialmente com o que temos do que esperar o dinheiro para se matricular naquele curso dos sonhos ou até mesmo pra ir naquele workshop. uma coisa não exclui a outra, o importante é você aprender do melhor jeito possível e que te trará mais prazer.

sobre teoria: blergggg

um fato: teoria é chata, extremamente chata na maioria das vezes. mas ela é necessária.

uma dica: mas não espere saber tudo na teoria pra começar a botar em prática o que você aprender (a não ser que você esteja aprendendo fissão nuclear ou a escalar montanhas, talvez seja perigoso colocar em prática antes de saber tudo na teoria). uma das estratégias que eu utilizo é buscar a teoria a medida que sinto necessidade dela para me auxiliar em alguma coisa. assim, posso focar melhor na prática.

a prática: seus erros e frustrações

a prática é um dos momentos mais importantes do aprendizado, pois é nela que se tem a felicidade de ver seus desejos se tornando reais. mas é também no momento da prática que temos que ter mais cuidado com o maior inimigo do autodidata: a frustração.

frustração, na maior parte dos casos, é culpa de uma expectativa mal projetada. mais uma vez enfatizo aqui a importância de se ter uma panorama geral do que se quer aprender, pois isso evita a frustração na maior parte dos casos. se você entende o passo a passo de técnicas de pintura e sobre o básico de desenho, provavelmente não vai achar que na primeira vez em que pegar no pincel, vai sair o desenho mais maravilhoso de todos os tempos.

isso toca em outra caracteristica importante para os autodidatas: não há motivos para ter medo de errar. o erro tem que começar a ser visto como um aliado. seu inimigo nunca irá apontar onde você tem que melhorar. pelo contrário: seu inimigo se aproveita dos seus pontos fracos. logo, o medo é um dos seus melhores amigos. ele diz quais seus pontos fracos, onde exatamente você precisa melhorar. mas você tem que saber entender quando ele te apontar, do contrário, só vai gerar frustração. perdeu um desenho por não conseguir fazer a sombra do jeito certo? faça o desenho de novo e tente mais uma vez fazer a sombra do jeito certo. não se apegue ao que você tem no momento. no futuro, tudo que você fez no passado vai parecer brincadeira, soará mal feito. se você gosta de uma ideia de um desenho de 2 anos atrás que você estragou porque esbarrou na tinta, pode ter certeza que se você for fazer hoje, depois de tantas experiências adquiridas, ele ficará muito melhor. aprender algo é sobre olhar pro futuro, não pro presente.

quebre tarefas grandes

ao definir as suas metas, quebre as tarefas grandes em tarefas menores, afinal, é muito mais fácil dedicar um pouco de tempo todo dia, do que tirar um dia para dedicar 7 horas seguidas. além do mais, a partir de um certo momento dessas supostas 7 horas de estudo seguidas, seu cérebro não vai ter o mesmo rendimento que nas primeiras 2 horas, por exemplo. isso nos leva a outro ponto importante numa metodologia boa: a frequência.

a importância da frequência

se você estuda inglês todo dia, seu cérebro entende que aquilo é mais importante que os encontros da turma do colégio de 2009, que acontece uma vez por ano. o importante aqui não é necessáriamente manter uma frequência necessariamente diária, mas alguma frequência, pra que se possa criar uma rotina ou uma certa organização por trás dos seus estudos. seja uma vez por semana, a cada três dias, terças e quintas ou qualquer que seja, o importante é ter uma frequência e essa frequência estar diretamente relacionada com suas prioridades. (ver apps ou estratégias para manter controle de hábitos: http://www.habitbull.com/ ou semelhantes)

mão na massa

com essas dicas e com o material captado, acredito que você tenha direcionamento suficiente para montar uma estratégia de estudo que seja divertida, leve, disciplinada e alinhada com suas expectativas. a partir daí, é hora de botar a mão na massa e começar a estudar. um ponto importante nesse momento é não ter medo da folha em branco, que ataca comumente escritores, artistas e pessoas que trabalham com criatividade, que se sentem oprimidos pela ideia de uma folha em branco em sua frente.

mas porque se tem medo de uma folha em branco?

a folha em branco representa que um trabalho precisa ser começado. e com o começo, vem todas as dificuldades também. o importante nessa hora é pensar no objetivo final como uma recompensa, afinal, se você começou todo esse processo, é porque tem algum interesse em adquirir esta habilidade, seja desenho, uma nova língua, ou um instrumento. não custa nada antes de começar a primeira lição de violão, imaginar-se tocando as músicas que mais gosta, compondo as suas próprias e pensar no sentimento que aquilo te tratá.

fixando o conteúdo

aqui é a segunda parte do seu método. achar um jeito de revisar e organizar na sua cabeça tudo que você aprender. vou dar algumas dicas de como faço pra você pensar no melhor jeito de fazer.

ensinar para aprender

acredito que ensinar seja um dos melhores jeitos de fixar aprendizado. eu, pro exemplo, falo sobre tudo que to aprendendo com todo mundo que for possível. tento inserir o assunto na conversa sempre que conveniente ou até falo pra mim mesmo. isso porque eu percebi que quando explico alguma coisa que aprendi, essa coisa se organiza muito melhor na minha cabeça.

se você não tem ninguém para conversar sobre, não quer ser chato ou tem o sentimento que está incomodando as pessoas falando sobre como é legal serrar blocos de madeira pra construir uma estante, há outras alternativas também. quando estou andando na rua, por exemplo, sempre fico tentando descrever as coisas que vejo na língua que estou aprendendo no momento, como uma forma de fixar o conteúdo que consumi em casa.

criar um material para ensinar outras pessoas pode ser uma boa saída também. manter um diário de aprendizado, principalmente pelo fator histórico. é bom olhar pras anotações do passado e ver como foi o progresso. aliás, qualquer coisa que ajude a analisar seu progresso é importante tanto para te motivar quanto para ter noção do quão perto ou longe se está do objetivo final e analizar se seu planejamento foi eficiente.

por fim, algumas considerações

o aprendizado é sempre contínuo. se você aprendeu tudo que tinha pra aprender, pode ter certeza que tem alguém criando algo em algum lugar do mundo em suas areas de aprendizado. e se não tiver alguém fazendo algo, provavelmente você é ou pode ser essa pessoa. e pra fazer algo novo, você provavelmente precisará estudar também. o importante é entender que quando se chega num objetivo, pode-se criar outro e assim sucessivamente. aprendizado só para quando você quiser.

e se no meio desse processo todo você se sentir incapaz ou achar que não vai chegar no seu objetivo, lembre-se que você já foi um bebê e aprendeu a andar sem ninguém te ensinar. lembre-se que seu processo de aprendizagem de fala, de entendimento de mundo, o desenvolvimento do seu senso de humor ou do jeito que você se relaciona com as pessoas que gosta, tudo isso você fez de maneira autodidata. você só não tinha consciência disso.