netoguimaraes' blog


O pequeno universo que criamos na internet

Já parou pra pensar sobre quantos sites você visita frequentemente?

Esses dias eu parei pra pensar sobre isso e se tirar redes sociais e sites em que tenho algum vínculo de trabalho ou que tenho que ficar acessando sempre por necessidades maiores — sistema da faculdade, gmail etc — , não sobram muitos sites.Isso sempre me passou despercebido e eu até consegui listar os motivos pelos quais eu me acomodei a uma meia dúzia de sites:

1. Falta de tempo

É provavelmente o argumento mais usado quando esse assunto é botado na mesa. É óbvio que o último século e suas revoluções industriais nos deixaram com bem menos tempo, mas também nos fez acreditar que todo o tempo livre fora do trabalho e dos estudos deve ser gasto com “lazer”. Além disso, todas as mudanças sociais do século passado nos fizeram tratar lazer como ócio. Parece até que soa errado ter um hobby produtivo ou um hobby que envolva trabalho duro. Eu por exemplo quero um dia ter marcenaria como um hobby, mas sempre que falo isso pra alguém, não sou levado a sério. Quem já viu alguém ter um hobby que não seja ver seriado e falar bem do novo filme do Nolan, não é mesmo?

Foi um argumento que me fez pensar sobre o fato de eu justificar meu feed de páginas no facebook nos últimos tempos ser usado como uma espécie de leitor RSS ou agregador de leituras — pocket e cia. A maioria dos blogs hoje em dia tem página no facebook e isso faz com que acompanhar seus conteúdos seja mais rápido e pratico, já que você acessa o facebook com frequência e ele junta os posts dos seus amigos, os posts das páginas que você curte os posts das pessoas que você segue. Mas aí é que começa o problema pra mim. O facebook tem muita coisa. E pra completar, ainda tem a timeline infinita, literalmente. 1h de rolagem na timeline do facebook e você terá uma pá de links legais. Mas pelo fato de ter muita informação, dos mais variados tipos e escopos, navegar pelo facebook gera muita ansiedade e faz as coisas parecerem que têm de ser rápidas. É exatamente por isso que ficamos com preguiça de ler algo além das manchetes e nos limitamos às 5 primeiras linhas de quase tudo. Acaba que adquirimos um monte de pequenas informações, boa parte um tanto inúteis e nos acomodamos com isso.

É obvio que há pessoas que conseguem fazer do facebook um canal de conteúdos interessantes e juntam isso com uma boa administração de tempo e uma dose de paciência e autocontrole para não se limitar às 5 primeiras linhas de tudo que encontra pelo feed, mas esse não é nem o meu caso nem o da maioria.

E eu perdi uns dias pensando sobre isso tudo.

A web é muito grande para nos limitarmos a meia dúzia de sites. Antes de começar a escrever isso, joguei no Google as palavras chaves “software livre”, que é um assunto que eu me interesso bastante e acho que leio bastante sobre também. Aproximadamente 2.810.000 resultados em 0,30 segundos, segundo o google. Joguei “free software” logo depois. Aproximadamente 1.510.000.000 resultados em 0,43 segundos. Vamos supor que metade dessas páginas que o google me retornou sejam inúteis para mim.

Ainda assim eu terei um vasto número de páginas, portais, sites e blogs falando sobre software livre e eu continuo acessando os mesmos que sempre acessei, que se eu listar, não chego a nada mais que algumas dezenas de o páginas. Me assusta saber que eu estou perdendo tanto conteúdo sobre temas que tenho níveis altos de interesse. E me assusta saber que não vi muita gente falando ou escrevendo sobre isso.

Mas será que não tem muita gente mesmo falando sobre isso ou sou só eu que não conheço esses textos por não ter pesquisado de fato sobre isso para ver o que andam dizendo?

Então eu fiz uma pesquisa no Google e achei um texto significativo.

Eu não quis fazer o feed rss exatamente, mas o texto me fez pensar sobre o algoritmo de interesses que o facebook cria pra cada um de nós. Se você não conhece ou entende como funciona, leia um pouco aqui. Por fim, acabei descobrindo que curto 800 páginas, mas que na verdade, não recebo conteúdo de nem metade dessas. Sem falar no fato de que metade dessas páginas não me interessam de verdade.

Rever tais conceitos só me fez entender que eu e a maioria das pessoas não sabemos usar a internet. Ou talvez tenhamos criado um jeito de usá-la que é muito cômodo e só tende a piorar e que fará das próximas gerações cada vez mais limitados. E se cada vez mais buscarmos menos coisas e por consequência disso e de coisas como o algoritmo do facebook, as coisas se encaminham para um futuro onde haverá também menos conteúdo sendo produzido.

Espero que esse insight não seja uma profecia.